Sacos parecidos com os usados para evitar paredão de areia em Matinhos são encontrados a 25 km de distância, em Pontal do Paraná

  • 21/01/2026
(Foto: Reprodução)
Sacos aparecem espalhados em praias do Paraná Diversos sacos parecidos com os que foram usados para evitar a formação de um paredão de areia na praia de Matinhos foram encontrados no mar em Pontal do Paraná, nesta quarta-feira (21). Alguns cerca de 25 quilômetros de distância entre um ponto e outro. O paredão surgiu após uma ressaca – quando ventos fortes e marés mais altas provocam a erosão da orla – e se formou próximo à estrutura dos shows do Verão Maior, promovido pelo Governo do Estado. A primeira ocorrência do fenômeno foi registrada em 4 de janeiro. Na ocasião, equipes do governo estadual fizeram uma contenção emergencial no local. No dia seguinte, a areia começou a ser recolocada na tentativa de nivelar a orla da praia. Foram usados 1.900 sacos como estes para recompor a orla. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Na segunda-feira (19), a ressaca formou um novo degrau e derrubou banheiros químicos na areia. Com isso, alguns dos sacos utilizados começaram a aparecer: alguns já vazios, outros se desmanchando. Uma manta usada para conter os bolsões também não está mais inteira. O fotógrafo André Neto registrou o surfista Edson Luiz Vasques retirando um saco grande da água no Pico de Matinhos. "Estava indo dar minha aula ali para o meu aluno. Vi aquele saco boiando e a primeira atitude que eu tive foi tirá-lo dali para poder manter o local limpo. O mar para mim é sagrado, é de onde eu tiro o meu sustento e pratico esse esporte maravilhoso que é o surf", afirmou Vasques. Surfista retirando saco de dentro do mar, em Matinhos André Neto Durante a caminhada matinal na praia, Giselle Mazuroski e o marido foram surpreendidos com sacos em Pontal do Paraná. Uma das etiquetas em um dos sacos fotografados por ela em Pontal do Paraná é igual a uma registrada no paredão de Matinhos pela equipe da RPC. "O que o mar conseguiu devolver, nós arrastamos. A preocupação é com o que está dentro do mar. Eu, como professora, ensinei tantas vezes para os meus alunos a preocupação em relação aos plásticos, com os animais marinhos, e agora eu fico imaginando o que esses bolsões e pacotes desfiados podem estar causando ali", disse Giselle. Pesquisadores do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR) também encontraram e recolheram embalagens parecidas nos balneários de Shangri-lá e Pontal do Sul. "É problemático para a biodiversidade marinha, tanto quando ele tem essa forma maior, quanto quando ele é degradado. O plástico vai ficar centenas de anos no ecossistema e todo o processo de degradação do plástico, ao longo das suas etapas, vai causar diferentes tipos de problema à biodiversidade, e a todo o ecossistema marinho", afirmou Camila Domit, coordenadora do programa. Sacos parecidos com os usados para evitar paredão de areia em Matinhos são encontrados espalhados nas praias do Paraná RPC Em entrevista à RPC, concedida na terça-feira (20), antes dos sacos aparecerem na praia, o presidente do Instituto Água e Terra (IAT), Everton Luiz da Costa Souza, informou que os sacos são feitos de ráfia e que não são biodegradáveis. Ele, porém, garantiu que seriam recolhidos. "Todos aqueles sacos que estão aparecendo ali [no paredão] estão sendo recolhidos e serão destinados, ou mesmo reaproveitados, porque a ideia ali foi fazer uma barreira semi rígida para poder absorver os efeitos das forças da maré", afirmou Souza. No início da tarde desta quarta-feira, a equipe da RPC encontrou muitos sacos ainda no paredão. Alguns deles tinham uma inscrição indicando "não reutilizável". Outros tinham informações relacionadas a fertilizantes nas embalagens. O Ministério Público Federal (MPF) informou que solicitou diligências ao Ibama e que, caso a colocação de sacos plásticos na orla se confirme, isso pode caracterizar poluição e acarretar responsabilidades cíveis e também criminais. Em nota, o IAT afirmou que, para resolver o processo erosivo, segue trabalhando na manutenção da contenção que havia sido realizada há algumas semanas. Conforme o instituto, os trabalhos de manutenção são realizados com areia retirada de regiões onde houve acréscimo nos últimos anos. "Os sacos de areia que foram esvaziados e ainda têm condição de uso estão sendo preenchidos novamente. Em caso de danos, eles estão sendo substituídos. A especificação do material corresponde às necessidades de capacidade, volume e resistência. Esse material possui as especificações para o uso em contenções", diz a nota do IAT. O IAT informou também que ordenou que a empresa que executa a obra faça uma varredura nas praias de Matinhos e outras cidades para eventual retirada de sacos que tenham sido levados. O órgão não respondeu às questões sobre as etiquetas que indicam fertilizantes, nem sobre o risco de poluição da água. Sacos parecidos com os usados para evitar paredão de areia em Matinhos são encontrados a 25 km de distância, em Pontal do Paraná RPC LEIA TAMBÉM: Crime: Justiça condena a mais de 37 anos de prisão assassinos de jornalista em Curitiba Da UTI à alta hospitalar: Entenda como foi a recuperação da advogada que salvou a família em incêndio Vídeo: Homem 'dá calote' em bar, invade calçada com o carro e furta espetinhos antes de fugir Restinga foi danificada durante evento Área de restinga foi degradada durante shows do Verão Maior Paraná Além da realocação da areia para a nivelação da orla da praia para os shows do Verão Maior, o evento resultou, também, em danos na restinga, segundo o Ministério Público Federal (MPF). A restinga é considerada uma Área de Preservação Permanente (APP). A raiz das vegetações que a compõem protegem a areia da erosão, além de servir como uma espécie de barreira entre a cidade e o mar, evitando que a poluição chegue ao oceano, por exemplo. Em Matinhos, a importância da restinga é tema de discussões desde o início das obras de engorda da orla, quando a vegetação foi arrancada pelas equipes do Instituto Água e Terra (IAT) em dezembro de 2022 e, depois, teve que ser replantada. Dessa vez, conforme o MPF, a degradação foi na madrugada do dia 10 de janeiro – imagens mostram centenas de pessoas em cima da área de preservação permanente durante o evento. Ao lado da restinga, estavam instalados banheiros químicos. A pedido do Ministério Público, o Ibama fez uma vistoria e constatou a degradação em cerca de 700 m². Nas imagens, é possível observar que havia grades para isolar a área, com placas informando que o local era de restinga. Porém, conforme o órgão, elas não foram suficientes. "O que a equipe constatou é que, em parte, teve isolamento das áreas de restinga, mas em alguns pontos ela não foi suficiente para que as pessoas ficassem longe desses locais. Os vídeos anexos nessa denúncia são muito claros em evidenciar que houve o pisoteio dessa área, muito lixo acumulado e quando a nossa equipe esteve no local constatou que a vegetação sofreu um dano", detalhou Rafael Prado Engelhardt, superintendente substituto Ibama. O Ministério Público Federal enviou ao IAT recomendações sobre o que precisa ser feito para evitar a destruição da restinga. O documento indica que o Estado deve implementar, imediatamente, estruturas físicas mais eficientes, e também fiscalização durante o evento, a fim de coibir as invasões dos espaços ambientalmente protegidos. Além disso, o documento indica a realização da recuperação da área degradada. O IAT tem dez dias para responder o MPF sobre as ações de fiscalização e proteção da restinga. A degradação da área da restinga pode levar a multa de até R$ 50 mil por hectare. "Não é a preservação pela preservação, é a preservação em cumprimento da legislação ambiental, mas porque aquele ecossistema exerce diversas funções importantes de contenção de eventos de ressaca, de alta de maré, então exerce uma função muito importante de proteção", explicou Engelhardt. Restinga ficou danificada após evento organizado pelo Governo do Paraná RPC VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/21/sacos-paredao-de-areia-matinhos-pontal-do-parana.ghtml


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