Onde as ruas têm trilha sonora: conheça o Jardim da Conquista, bairro da Zona Leste de SP que tem vias com nomes de músicas

  • 24/01/2026
(Foto: Reprodução)
‘Borboletas Psicodélicas' a 'Metamorfose’: veja nomes curiosos de ruas de SP Um bairro na Zona Leste de São Paulo cercado de subidas e descidas. À primeira vista, o Jardim da Conquista, no distrito de São Mateus, não parece diferente de tantos outros bairros periféricos da capital paulista. Mas a singularidade está nas placas das ruas que, em vez de números ou nomes tradicionais, homenageiam hits musicais. Caminhar por ali é como percorrer uma playlist ao ar livre. Há vias batizadas com músicas de diferentes estilos, como a Travessa Evidências, sucesso de Chitãozinho e Xororó, a Travessa Tristeza do Jeca, de Zezé Di Camargo e Luciano, a Travessa Metamorfose, de Raul Seixas, a Travessa Além do Horizonte, música de Roberto Carlos, ou até mesmo a Travessa Estúpido Cupido, de Celly Campello. Os endereços transformados em referências musicais deram identidade à região e dá orgulho para quem mora por lá. "Quando as pessoas perguntam onde moro, eu falo: 'Moro na rua Sonho por Sonho'. Aí falam: 'Nossa, que lindo esse nome de rua'. As pessoas acham bonito e é bonito mesmo. Só tem aqui, nunca vi em nenhum outro lugar. É muito lindo", afirmou a moradora Márcia Aparecida. "Todas as ruas são nomes de músicas e eu acho isso muito legal. Antes as pessoas estranhavam quando eu dizia o nome da minha rua, mas até que agora muitos se acostumaram porque o bairro tem mais de 30 anos. Mas é bem curioso. Apesar de não morar nela, eu gosto muito da Travessa Tristeza do Jeca, música sertaneja", complementou o morador José Ferreira Silva. Segundo a Prefeitura de São Paulo, as denominações do Jardim da Conquista foram oficializadas pela Portaria nº 882/92, de 10 de dezembro de 1992. "Muitas delas foram retiradas do Banco de Nomes da SEHAB/CASE, criado para atender à demanda de regularização de vias que antes tinham apenas numeração." Ruas do Jardim da Conquista, Zona Leste de SP Paola Patriarca/g1 Jandira Marques da Silva do Carmo, mais conhecida como Tauá, de 74 anos, foi uma das que ajudaram a escolher os nomes das ruas. Ao g1, ele disse que a inspiração se deu nos discos que ela tinha em casa. Até pensaram em colocar nomes de pássaros ou parentes, mas decidiram inovar. "O bairro surgiu de uma ocupação nossa nos anos 80. Foi muita luta para conquistarmos a terra aqui, que era um sítio, e por isso colocamos [o nome de] Jardim da Conquista. Depois de regularizar tudo aqui, a gente precisou escolher os nomes das ruas nos anos 90. Até então não tinha. Nos reunimos, então, para decidir", explicou. "Até pensamos em colocar nomes de flores, mas aí já tinha no [Jardim] Santa Bárbara. Um até pensou em colocar nomes de parentes falecidos, mas ia demorar muito. Então, eu, Márcia, Jeruza e Vera sentamos na mesa de casa e um dia fomos a noite toda procurando nome de música com os discos que tínhamos, entre eles de sertanejo, de rock. A gente ia ouvindo as músicas e anotando. Fizemos assembleia depois de escolhermos e todos aceitaram." Jandira Marques da Silva do Carmo, mais conhecida como Tauá, de 74 anos, foi uma das que ajudaram a escolher os nomes das ruas do Jardim da Conquista Paola Patriarca/g1 Segundo Tauá, ninguém brigou pelos nomes escolhidos. "Nos tornamos o único bairro do mundo que tem nome de música nas ruas. Música traz leveza e é tudo de bom. Isso nos faz ter muito orgulho, orgulho de termos conquistado o espaço e orgulho de ter esses nomes de ruas", afirmou. Ainda conforme a moradora, ela ainda costuma ouvir algumas das músicas escolhidas". "Hoje mudou muito o que escuto, mas ainda coloco para ouvir algumas do Raul Seixas porque eu gosto muito", afirmou. Carmen Fagundes Andrade, de 75 anos, é uma das primeiras moradoras do bairro e relembra o momento em que os nomes foram escolhidos. "Eu não participei da escolha, mas eu lembro muito bem de como tudo foi e lembro que todos aprovaram. Amo sertanejo e tem muitas músicas do sertanejo. É muito legal. Eu moro na Travessa Axé Babá, mas se eu pudesse escolher, eu moraria na Travessa Bandeira Branca porque eu amo essa música. Ou na Travessa Sinhá Moça", afirmou. O filho de Carmen diz que o bairro ser tão musical serviu de inspiração para que ele hoje seguisse na carreira de rapper. "Eu acho genial ter isso aqui no bairro. Nenhum lugar tem. E quando você reconhece a potencialidade do bairro, essa diversidade, é muito massa, ainda mais eu sendo da música. Quando era pequeno eu perguntava sobre os nomes das ruas para a minha mãe, e ela me explicava, colocava as músicas em casa", afirmou Carlos Eduardo Fagundes Maia, mais conhecido como Toroka. Moradores do Jardim da Conquista, Márcia, Carmen, Eduardo e Antônio falam sobre o orgulho de ter nomes de ruas com hits musicais Paola Patriarca/g1 Antônio Sobrinho é dono de um comércio na Avenida Somos Todos Iguais. Durante a visita do g1 pelo bairro, o idoso atendia os clientes ao som de uma música que ele mesmo escreveu a letra, e colocou em um aplicativo de inteligência artificial para fazer o arranjo e voz. "Já escrevi mais de 50 músicas e essa aqui que está tocando eu fiz em homenagem ao bairro. Coloquei em um aplicativo de inteligência artificial para ter arranjo e voz, e coloco aqui na loja para os moradores ouvirem. Eu acho fantástico ter nomes assim aqui. Travessa Carpinteiro do Universo, por exemplo. É muito bonito o nome. Eu acho todas bonitas porque deixa o bairro bem particular", afirmou. E complementou: "Desperta muita curiosidade. É um orgulho ser morador do Jardim da Conquista. Foi aqui que criei meus quatro filhos, todos formados. Prefiro nome de música, poesia, do que nome de político. Que tenham mais ruas assim por São Paulo." Ruas do Jardim da Conquista, Zona Leste de SP Paola Patriarca/g1 Veja algumas ruas dos bairros e suas referências: Travessa Evidências: título de uma música de José Augusto e Paulo Sergio Valle, sucesso na voz de Chitãozinho e Xororó. Travessa Estúpido Cupido: título de uma música de Celly Campello. Travessa Além do Horizonte: título de uma música de Roberto Carlos. Travessa Galopeira: música composta pelo flautista e violonista Mauricio Cardozo Ocampo e que ganhou grande projeção no Brasil devido a sua gravação pela dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó. Travessa Tristeza do Jeca: música de Zezé Di Camargo e Luciano. Travessa Sem História, Sem Destino: nome vem da música composta por Paulo Debétio e Paulinho Rezende. Antes da oficialização em 1992, a via era conhecida apenas como Viela 5. Travessa Doce Presença: inspirada na canção “Doce Presença”, de Ivan Lins, a travessa substituiu a antiga Rua 23 em 1992. Travessa Na Paz do Seu Sorriso: recebeu o nome de uma música interpretada por Roberto Carlos em 1979. Antes, a via era identificada como Rua 106. Travessa Sonho de um Carnaval: referência direta à música de Chico Buarque. O nome anterior era Viela 30. Travessa Sentimental Demais: batizada a partir da música eternizada por Altemar Dutra. Antes da mudança, era a Viela 16. Travessa Paz na Terra: nome vem de outra música de Roberto Carlos, substituindo a antiga Rua 35. Travessa Nega Manhosa: inspirada na composição de Herivelto Martins, a via correspondia ao primeiro trecho da antiga Rua 98. Travessa Nave-Mãe: denominação retirada do Banco de Nomes da SEHAB/CASE. A travessa reúne trechos de vias que antes não possuíam um nome único, como partes da Rua 98 e das vielas 36 e 104. Travessa Bandeira Branca: música de Dalva de Oliveira. Jardim da Conquista, Zona Leste de SP' Paola Patriarca/g1 Travessa Bandeira Branca no Jardim da Conquista Paola Patriarca/g1 Travessa Sem História, Sem Destino no Jardim da Conquista Paola Patriarca/g1

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/01/24/onde-as-ruas-tem-trilha-sonora-conheca-o-jardim-da-conquista-bairro-da-zona-leste-de-sp-que-tem-vias-com-nomes-de-musicas.ghtml


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