Na primeira reunião de 2026, Copom deve manter juro estável em 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos
28/01/2026
(Foto: Reprodução) Copom se reúne nesta quarta-feira e anuncia decisão sobre taxa de juros após as 18h
Jornal Nacional/ Reprodução
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil se reúne nesta quarta-feira (28) e deve manter a taxa básica de juros da economia inalterada em 15% ao ano — o maior patamar em quase 20 anos.
Essa é a expectativa da maior parte dos economistas do mercado financeiro. Se confirmada, esta será a quinta manutenção seguida da taxa Selic. O anúncio da decisão do BC acontecerá após as 18h.
🔎A taxa básica de juros da economia é o principal instrumento do BC para tentar conter as pressões inflacionárias, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre.
▶️A projeção dos economistas do mercado financeiro é de que a taxa Selic, fixada pelo BC para conter a inflação, comece a recuar somente em março deste ano - quando cairia para 14,5% ao ano.
Economistas avaliam que Banco Central foi bem-sucedido ao subir os juros para conter a inflação
Como o Banco Central atua?
Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.
Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos.
Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.
Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o terceiro trimestre de 2027.
Desaceleração da economia
O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter a inflação no país.
A explicação é que, com um ritmo menor de crescimento, há menos pressões inflacionárias, principalmente no setor de serviços.
➡️Na ata da última reunião do Copom, divulgada em dezembro do ano passado, o BC informou que o chamado "hiato do produto" segue positivo.
➡️Isso quer dizer que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação.
O que dizem analistas
De acordo com Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos, o Copom deve ser conservador e cauteloso em janeiro, mantendo a Selic em 15% ao ano.
"O comitê tem atuado de uma forma muito técnica, o que é positivo, e a manutenção vem em linha com os dados de atividade econômica divulgados na semana passada, do índice de atividade econômica vindo acima do esperado. Temos uma economia ainda crescendo, o mercado de trabalho bastante aquecido, com desemprego nas mínimas", declarou Sérgio dos Santos, do Sistema Ailos.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, também prevê manutenção do juro em 15% ao ano nesta quarta-feira. Segundo ele, o BC deve aguardar uma confirmação dos sinais já observados nos indicadores da economia antes de iniciar o processo de corte da taxa Selic.
"Apesar da melhora gradual do quadro inflacionário, entendemos que o Comitê deve privilegiar uma condução prudente, assegurando que o início do ciclo de cortes ocorra em um ambiente mais consolidado, com maior conforto em relação à dinâmica prospectiva da inflação [projeções para o futuro] e à ancoragem das expectativas [em relação às metas]", afirmou Gustavo Sung, Suno Research.