Luísa Sonza canta bossa nova com fluência e reverência em grande álbum dissociado do som da geração da artista

  • 13/01/2026
(Foto: Reprodução)
Luísa Sonza honra o cancioneiro a que dá voz afinada no álbum 'Bossa sempre nova' Pam Martins / Divulgação ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: Bossa sempre nova Artistas: Luísa Sonza, Roberto Menescal e Toquinho Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2 ♬ Tradicionalistas que amam o passado e fecham os ouvidos para os sons e vozes da música brasileira do século XXI vão se surpreender com o álbum de bossa nova lançado por Luísa Sonza na noite de hoje, 13 de janeiro. Se esperavam um disco subversivo aos cânones do gênero, para poderem falar mal, vão se decepcionar com “Bossa sempre nova”. Escorada nos nomes, nos violões e nas produções musicais de Roberto Menescal e Toquinho, a cantora apresenta álbum de textura orgânica, extremamente reverente à bossa nova e, por isso mesmo, dissociado do som da geração da artista. Sonza encara 13 standards já gravados pelos maiores intérpretes do mundo e, sim, canta bem e impressiona pela destreza vocal. Basta ouvir “Carta ao Tom 74” (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1974) na versão de voz e violão (tocado por Toquinho) para admitir que Menescal não exagerava e tampouco estava sendo diplomático quando afirmou que via em Luísa Sonza uma legítima intérprete de bossa nova. Soprado na introdução pelo saxofone de Alexandre Caldi, “Samba de verão” (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, 1964) flui com a leveza eterna desta standard planetário e justifica o aval do mestre. Do alto dos 88 anos, Roberto Menescal assina a coprodução musical (com Douglas Moda) e toca violão e/ou guitarra em oito faixas do álbum “Bossa sempre nova”. Toquinho deu forma a outras seis das 14 faixas, também com a colaboração de Douglas Moda na produção musical. É somente com o violão de Toquinho, por exemplo, que a cantora dá voz ao samba “Águas de março” (Antonio Carlos Jobim, 1972) com a fluência que se mantém ao longo do disco. Luísa Sonza conta com a produção musical, os arranjos e o violão de Roberto Menescal em oito das 14 faixas do álbum 'Bossa sempre nova' Pam Martins / Divulgação Enfim, é assim, ancorada nesse porto seguro armado por Menescal e Toquinho, que Luísa Sonza se aventura, afinada, por canções como “Só tinha de ser com você” (Antonio Carlos Jobim e Aloysio de Oliveira, 1964) em gravação que, ao violão de Toquinho, somam-se o baixo de Ivani Sabino, o piano de Marco Pontes Caixote e a bateria de Pedro Paulo D'Elia. O trio também está presente na formatação de “Consolação” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963), afrosamba abordado sem a negritude esperada no canto do gênero, mas dentro do tom elegante do álbum “Bossa sempre nova”, ainda que a faixa seja a menos sedutora dentre os 13 standards. O contracanto de Roberto Menescal em “Você” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1964) tem charme e funciona como um aval do parceiro de Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994) neste tema tão carioca. Gaúcha residente em São Paulo (SP), Luísa Sonza se ambienta bem nessa atmosfera sal, céu, sol, sul que rege a bossa nova e a temperatura amena de canções como “Ah! Se eu pudesse“ (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1962), “O barquinho” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1961) – em registro que desliza em mar de calmaria com direito a vocalizes da cantora e ao violão de Menescal – e a bela e menos lembrada “Nós e o mar” (Roberto Menescal e Ronaldo Bõscoli, 1962). “Nós e o mar” é lado B do cancioneiro da bossa que Sonza canta lindamente, com arranjo de Menescal, e com leve melancolia condizente com os versos de Bôscoli. Essa melancolia também pousa sobre “Triste” (Antonio Carlos Jobim, 1967), faixa também arranjada por Menescal, sem pesar o clima do álbum. O sopro recorrente do saxofone de Alexandre Caldi sublinha a gravação como uma brisa. A voz de Toquinho é ouvida no samba “Onde anda você?” (Hermano Silva e Vinicius de Moraes, 1953) em feat com Sonza que não se limita ao toque do violão. Outro samba, “Tarde em Itapoã” (Toquinho e Vinicius de Moraes, 1971), também traz o violão e os vocais de Toquinho (no refrão). Primeira parceria de Luísa Sonza com Roberto Menescal, que retocou a harmonia da canção composta pela artista originalmente para o quarto álbum autoral de Sonza, “Um pouco de mim” perde no inevitável confronto com os 13 standards do repertório do álbum “Bossa sempre nova”, mas a música soa afinada com o espírito do cancioneiro. Quando o disco chega ao fim, com o canto do samba “Diz que fui por aí” (Zé Ketti e Hortênsio Rocha, 1964), o ouvinte sem pré-conceito já está convertido à bossa nova de Luísa Sonza. “Bossa sempre nova” é álbum de beleza atemporal que honra o gênero que, nos anos 1960, pôs o Brasil definitivamente no mapa-múndi da música. Capa do álbum 'Bossa sempre nova', de Luísa Sonza Pam Martins

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/01/13/luisa-sonza-canta-bossa-nova-com-fluencia-e-reverencia-em-grande-album-dissociado-do-som-da-geracao-da-artista.ghtml


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